São Filipe Benício
Na oitava festa da Assunção de Nossa Senhora, a liturgia nos propõe a memória de Maria Rainha, a fim de mostrar mais claramente a ligação que há entre dignidade régia da Mãe de Deus e sua Assunção ao céu. Maria, por sua íntima ligação à pessoa e a missão de Cristo, Seu Filho, adquiriu méritos incomparáveis de salvação em favor de toda a humanidade e por isso faz jus ao título de Rainha da Igreja, assim como por sua Assunção ao céu foi coroada Rainha dos Anjos e Santos.
Este título é motivo de incontida alegria e esperança para toda a humanidade. Com a liturgia da missa rezamos: “Ó Deus que fizeste a Mãe de Vosso Filho nossa Mãe e Rainha, dai-nos, por sua intercessão alcançar o reino do céu e a glória prometida aos vossos filhos.” Neste mesmo dia ocorre a memória de São Filipe Benício, que nasceu de família nobre em Florença, em 15 de agosto de 1233.
Os pais lhe proporcionaram a melhor educação e para isso o enviaram ao maior centro cultural da Europa: Paris, onde cursou Filosofia e Medicina. De Paris passou para a Universidade de Pádua, onde completou sua formação.
Terminado os estudos, Filipe estava em dúvida sobre sua vocação. Os pais queriam que praticasse a medicina, mas ele sentia as mais altas aspirações. Certo dia, frequentando, como de costume, a Igreja dos Servos de Maria, ficou impressionado com uma frase da Escritura que dizia: “Vai, aproxima-te do carro!” Estas palavras o nosso santo as considerou ditas a si, como convite para entrar na Ordem dos Servitas.
Pediu admissão como simples irmão leigo e deu logo a todos o exemplo de grande humildade. Ocultando cuidadosamente sua origem nobre, sua cultura intelectual, não teve outro pensamento senão imitar Jesus Cristo na humildade e no espírito de penitência. Na comunidade, prestava os serviços mais humildes com rara fidelidade.
Deus, porém, exaltou a humildade de seu servo. Uma lâmpada acesa não pode ficar muito tempo oculta. Os superiores perceberam as altas qualidades intelectuais de Filipe, sua vasta cultura e lhe aconselharam assumir o sacerdócio. Tinha então 27 anos. Sua carreira daquele momento em diante não teve parada. Foi eleito mestre de noviços conselheiros e depois superior geral da Ordem dos Servitas, com a idade de 34 anos.
Como responsável supremo da Ordem, Filipe dedicou-se a sua expansão, imprimindo-lhe um espírito missionário: os mosteiros se multiplicaram e foram feitas fundações na Polônia, na Hungria, para que fossem centro propulsores da pregação do Evangelho. Ele mesmo com dois confrades, percorreu quase toda a Itália, instruindo, pregando penitência aos pecadores, animando os cristãos a viver em união com a igreja e seu representante o Papa, e por toda parte, levando a devoção à Nossa Senhora das Dores.
Em 1271, os cardeais reunidos em conclave há vários meses não conseguiram chegar a um acordo para a eleição do novo Papa, quando alguns cardeais fizeram a proposta de eleger Filipe Benício. A proposta foi aceita, mas o nosso santo, tendo notícia do fato, fugiu para os montes, escondendo-se até que finalmente, soube da eleição do Papa Gregório X.
Longos anos tinha Filipe dedicado à vida missionária, tão cheia de trabalhos, sacrifícios e responsabilidades e só a abandonou quando sentiu faltarem-lhe as forças. Na festa da Assunção de Nossa Senhora, do ano de 1285, fez seu último sermão, entusiasmando a todos sobre a devoção e as virtudes da Virgem Santíssima. Depois, adoeceu.
Vendo chegar a hora da morte, pediu a imagem do crucifixo, estreitou-a fortemente contra o peito e disse com alegria: “Em Vós meu Deus, confiei. Em Vossas mãos entrego meu espírito.” Era o dia 22 de agosto de 1285. Falecia o santo com 52 anos de idade.
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